quinta-feira, 11 de março de 2010

Síndrome Fêmoro-Patelar

Existem diversas patologias relacionadas à articulação femoropatelar, sendo a síndrome fêmoro-patelar (SFP) uma das mais comuns e desafiadoras de tratar, compreendendo 25% dos diagnósticos nas clínicas ortopédicas e 30 a 33% dos casos na medicina esportiva e nos centros de reabilitação, ocorrendo mais freqüentemente em mulheres.
A SFP resulta de um desequilíbrio das forças direcionadas à patela durante seu movimento normal. O paciente é geralmente jovem e ativo e sofre de dor retro-patelar e peri-patelar resultante de longos períodos sentado(sinal do cinema), agachado, ajoelhado, subindo ou descendo escadas, geralmente de início insidioso e progressão lenta. Estas atividades aumentam as forças compressivas da articulação femoropatelar que exacerbam a dor nestes pacientes, geralmente os pacientes relatam os sintomas após uso excessivo da articulação do joelho ou mudança da intensidade das atividades.
Clinicamente, sujeitos com dor femoropatelar relatam limitações na marcha, particularmente durante o subir e descer escadas e andar em planos inclinados. O desconforto associado com essas atividades geralmente resulta em modificação nos padrões da marcha, numa tentativa de reduzir as demandas musculares e, conseqüentemente, a dor.
Dentre os fatores biomecânicos mais freqüentemente relacionados ao desenvolvimento da SFP, destacam-se o desequilíbrio estático e dinâmico. Entre as alterações no equilíbrio estático, alguns autores afirmam que anormalidades como pronação subtalar excessiva, aumento do ângulo Q, torção tibial externa, retração do retináculo lateral, dos músculos isquiotibiais e do trato iliotibial, patela alta ou baixa, medializada ou lateralizada, anteversão femoral, joelhos valgos e um comportamento patelar inadequado podem causar dor anterior do joelho. Entretanto, outros autores relacionam a SFP com o desequilíbrio dos estabilizadores dinâmicos, principalmente entre os componentes mediais e laterais e, mais recentemente, a porção oblíqua do vasto lateral, o vasto lateral oblíquo.
Considera-se atualmente o desequilíbrio da musculatura extensora, a insuficiência do VMO, a fraqueza dos músculos do quadril, a atividade excessiva, a diferença entre o início da contração muscular (onset) entre VMO e VL como fatores contribuintes para a origem da dor anterior no joelho. Nessa situação, ocorreria um desequilíbrio entre os músculos estabilizadores primários da patela.
A força gerada pelo músculo vasto lateral, não sendo adequadamente equilibrada pela força medial do vasto medial oblíquo, resulta em deslocamento lateral e mau alinhamento da patela. O músculo vasto medial oblíquo age como um estabilizador medial para a patela e mantém um alinhamento patelofemoral apropriado durante o movimento do joelho. O desequilíbrio entre o vasto medial obliquo e o vasto lateral resulta em um tracionamento anormal da patela, e conseqüentemente em dor. Então, o reforço muscular do vasto medial obliquo é crucial na reabilitação da síndrome da dor patelofemoral e o principal objetivo da reabilitação são os exercícios que devem modular as atividades relativas dos músculos nos lados medial e laterais para balancear a força de tração patelar.
Para indivíduos com SFP há a hipótese de que a dor e o aumento dos estresses articulares anormais, conseqüentes do mau tracionamento da patela, possam levar à anormalidade na propriocepção do joelho. O tracionamento alterado afetaria a magnitude e a distribuição das forças atuantes na articulação femoropatelar, especialmente as pressões no interior da articulação. Desse modo, a sensação de compressão, incluindo a sensação de dor, poderia contribuir para a diminuição da propriocepção do joelho.
O tratamento conservador tem-se mostrado eficaz para a SPF, relatando êxito na reabilitação conservadora em 76%. Porém, se não tratada corretamente, na evolução da SPF ocorrem fissuras na cartilagem articular da patela, a partir destas fissuras a cartilagem pode iniciar um processo de desgaste mais acelerado que pode degenerar a cartilagem até o osso subcondral. Para que isso não ocorra, deve-se tratar da SPF e das suas alterações. Em aproximadamente 10 a 20% dos pacientes, o tratamento conservador não apresenta melhora significativa, com dor em atividades da vida diária ou em alguma atividade esportiva mais vigorosa. Indica-se em último caso o tratamento cirúrgico para casos de insucesso com o tratamento conservador, ou em casos de instabilidade patelar com episódios recidivantes de luxações.
A reabilitação tem como objetivo restaurar a coordenação normal da atividade muscular, especialmente durante movimentos funcionais, usando fortalecimento dos estabilizadores dinâmicos da articulação femoropatelar, com ênfase no vasto medial oblíquo, alongamento dos músculos encurtados, controle motor, uso de modalidades terapêuticas e uso de antiinflamatórios. Estas intervenções podem ser associadas com um resultado clínico positivo incluindo a redução da dor, melhora da função e diminuindo a recorrência da dor. Uma vez que o tratamento conservador é sempre enfatizado como a primeira linha de ação em prol da reabilitação dos indivíduos acometidos por esta síndrome, é importante ao Fisioterapeuta ter pleno conhecimento quanto a biomecânica e as formas de tratamento da SFP utilizadas.

12 comentários:

  1. Vinícius Gonçalves Bastos18 de março de 2010 11:15

    Joelho é uma articulação bacana de ser tratada!!! Já coluna, eu pessoalmente não gosto nem um pouco!!!

    Abraço!

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  2. Olá, me chamo Natália! Estava pesquisando na internet tratamentos para a síndrome fêmoro-patelar, justamente a minha síndrome, e encontrei o seu blogo! Tenho sentido dores desde de setembro do ano passado e estou tratando com sessões de fisioterapia diárias, já fiz 30! Ás vezes acho que melhora, às vezes acho que tá a mesma coisa! E a minha fisioterapeuta me disse um dia que esta síndrome não tem cura total, que essas sessões vão aliviar as dores, mas que logo ela pode voltar e que eu terei que fazer fisioterapia pelo resto da vida. É verdade isso? Gostaria de entender mais sobre os tipos de tratamento total dessa síndrome, pois adoro esporte e acho que vou me perjudicar caso nunca me cure.

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  3. Também me identifico com o post da Naty.
    Gostaria de saber quais atividades físicas pessoas que possuem essa síndrome podem fazer?
    Fisioterapia não é atividade física, certo?
    E na hora da malhação, o que podemos fazer pra não prejudicar nosso joelho? Pilates? Yoga? Musculação?

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  4. Uma dica bacana para quem tem a SFP é fazer RPG (Reeducação Postural Global). u tenho a sindrome e fiz RPG durante 2 meses e meio. É um tratamento excelente, mas precisa ser feito também, em casa.

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  5. Ótimo post. Tenho SFP no joelho esquerdo, mas já operei, fiz mais de 200 sessões de fisioterapia e minha patela continua saindo do lugar...acho que não tem mais jeito, não vou mais poder jogar futebol com 19 anos de idade. Entretanto, o texto esta otimo. Paabens!!

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  6. Pessoal, vcs tem que procurar um ótimo fiosterapeuta, pois existe fases da SFP , então a depender da fase utiliza-se técnicas fisioterapêuticas diferentes, para tratar da SFP o objetivo é fortalecer as musculaturas que envolvem o joelho mantendos em equilibrio. Devolvendo a funcionalidade de vcs. Um exemplo é um jogador de futebol quando tem lesão no ligamento cruzado anterior, ele volta a jogar pois o tratamento dele é intenso ou seja muito fortalecimento. bjs..

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  7. meu nome é renata,me indentifico muito com o thiago,só que o meu é no joelho direitoo,eu jogo futebool no time feminino,mais infelismente nao vou poder mais jogar,tenho q manter as fisioterapias e me cuidar bem.amei o blog,parabens!!!!!!

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  8. e então, será que tem cura? pelo que o médico me disse, infelizmente NÃO TEM.. e com o passar dos anos, só tende a piorar a dor... como o próprio nome já diz... é uma síndrome... as crises dão do nada, saem do nada...e assim vamos vivendo....

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  9. pessoal tem cura sim,pois eu vou passar por uma cirurgia que meu medico me prometeu recuperação.
    Procurem outros medicos, pois já perdi as contas de medicos que fui ......
    SIM!!!!!!! tem cura

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  10. Isaias Castro Porto Velho
    Tenho 38 anos, jogo futebol com muita intensidade e tenho SFP/LE e a 6 anos atras fiz apenas fortalecimentos da musculatura por 03 meses(c/ acompanhamento) e fiquei 100% sem dores. O Detalhe é continuo fazendo alguns exercício caseiro para manter essa musculatura em dias.

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  11. Artrose , Condromalassia , Condropatia Tudo a mesma coisa no final das contas
    NADA TEM CURA !! 5 ANOS com essa merda 1 milhao de fisoterapias mais 2 mil reais em condroprotetores , 2 artroscopia E NO FINAL NADA! a unica coisa boa foi a aposentadoria que ela me deu uma renda extra! fora isso! Cuidessem! meu email para mais detalhes ou Facebook = victorpbspawn@yahoo.com.br

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  12. n tem cura ja fui operada n resultou e agr voltei a fisio e nao resulta. logo aguentar dores e unica coisa que se pode fazer

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