quarta-feira, 13 de abril de 2011

Biomecânica do Ombro


A articulação do ombro é a maior e mais complexa do corpo humano, possui características como cavidade glenóide rasa e pouca coaptação com a cabeça do úmero que a torna possível alcançar amplitudes que nenhuma outra articulação é capaz de alcançar, uma amplitude de movimento de 180º na flexão e abdução e essa grande amplitude gera uma alta instabilidade na articulação do ombro tornando propenso a subluxação e luxação, a eatabilidade é garantida pelo manguito rotador e ligamentos glenoumerais e coracoumerais, com a liberdade de movimento sendo auxiliada pelos músculos do cíngulo do membro superior.

Biomecânica do ombro
O ombro é uma articulação tipo esferóide, possuindo movimentos nos três planos: sagital, frontal e transverso. Fazem parte dessa articulação os ossos: úmero, escápula e clavícula, quatro articulações a esternoclavicular, acromioclavicular e glenoumeral e a escapulotorácica, os ligamentos que dão estabilidade e os dezesseis músculos envolvidos com o complexo do ombro.
O complexo do ombro possui quatro grupos de movimento, no plano sagital: flexão, extensão e hiperextensão; no plano frontal: abdução e adução; e no plano transverso: rotação medial e rotação lateral; abdução horizontal e adução horizontal e circundação (LIPPERT, 2003; HAMILL & KNETZEN, 2008).

Articulação esternoclavicular

A articulação esternoclavicular é a que conecta o membro superior ao esqueleto axial, especificamente a extremidade esternal com o manúbrio do esterno. É uma articulação tipo selar com três graus de liberdade, existe um disco entre as duas superfícies ósseas e a cápsula é mais espessa anteriormente que posteriormente.
O disco separa o esterno da clavícula e aumenta a estabilidade, os ligamentos dessa articulação são: o esternoclavicular anterior e esternoclavicular posterior que suportam a articulação anteriormente, o costoclavicular e o interclavicular, que limitam a elevação e o abaixamento excessivo respectivamente. Essa articulação possui os movimentos de elevação, depressão, protração, retração e rotação
A elevação da articulação esternoclavicular é de aproximadamente 55º, a maior parte do movimento ocorrendo nos primeiros 90º de elevação do braço, a depressão é de aproximadamente 5º.
Esta articulação localiza – se no sentido medial da clavícula com a parte convexa na direção superior para inferior e côncava na direção anterior para posterior. A artrocinemática diz que a parte côncava movimenta -se no sentido do movimento e a parte convexa no sentido oposto ao movimento, conforme quadro abaixo:

Movimento fifiológico da clavícula
Direção do deslizamento da clavícula
Elevação
Inferior
Depressão
Superior
Protração
Anterior
Retração
Posterior
Rotação
Espiral

Os movimentos da clavícula são em decorrência dos movimentos escapulares de: elevação, depressão, protração e retração, respectivamente. A rotação da clavícula ocorre quando o úmero é elevado e a escápula roda para cima, isoladamente não se obtém esse movimento voluntariamente.
A partir da posição em repouso a protração da articulação esternoclavicular é de aproximadamente 30º e a retração também de 30º. A rotação é de aproximadamente 45º ocorrendo após o ombro ser abduzido ou fletido a 90º e é também indispensável para rotação da escápula para cima (SMITH et al., 1997 & SOUZA 2001; MAGEE, 2005).

Articulação acromioclavicular

A articulação acromioclavicular é uma articulação artrodial, envolvendo a extremidade acromial da clavícula e o acrômio, esta articulação possui três liberdades de movimento, e é nessa articulação que concentra a maioria dos movimentos da escápula.A estabilidade é conferida pelos ligamentos acromioclavicular, coracoclavicular com a sua divisão em: trapezóide e conóide
A articulação acromioclavicular realiza um movimento de rotação, desencadeada pela tensão do ligamento coracoclavicular à medida que a escápula roda lateralmente na abdução do braço, realiza uma rotação para cima e para baixo de aproximadamente 60º, realiza também os movimentos de protração e retração com aproximadamente 30 a 50º e movimentos para cima e para baixo ou elevação e depressão de aproximadamente 30º (HAMILL & KNUTZEN, 2008).

Articulação escapulotorácica
A escápula faz contato com o tórax por meio da articulação escapulotorácica, a escápula está aderida a dois músculos, o serrátil anterior e o subescapular. A escápula se movimenta sobre o tórax como conseqüência de ações nas articulações acromioclavicular e esternoclavicular.Isso resulta numa amplitude de movimento para a articulação escapulotorácica de aproximadamente 60º para 180º de abdução ou flexão (HAMILL & KNUTZEN, 2008).

Articulação glenoumeral

A articulação glenoumeral é formada pela cabeça do úmero e a cavidade glenóide, é uma articulação sinovial tipo esferóide (bola e soqueta), possui quatro liberdade de movimento e pouca estabilidade óssea, sua estabilização é dependente de ações musculares.
A diferença entre o tamanho da cabeça do úmero e da cavidade glenóide torna o contato das superfícies articulares assimétrico, somente uma parte da cabeça do úmero encontra em contato com a cavidade glenóide.
O lábio glenoidal  é um anel formado por fibrocartilagem que circunda a cavidade glenóide com a função de aprofundar dando maior espaço articular e estabilização
A cápsula está presente na margem da cavidade glenóide e colo anatômico do úmero, é constituída externamente por membrana fibrosa e internamente por membrana sinovial. Com o braço em posição neutra ao lado do corpo, a parte superior da cápsula fica esticada e a parte inferior fica relaxada na abdução acontece o oposto a cápsula fixa a articulação glenoumeral reforçada por ligamentos.
O ligamento coracoumeral reforça a parte superior da cápsula articular. Os ligamentos glenoumerais reforçam a cápsula anteriormente e pelo músculo subescapular, este sendo o principal estabilizador dinâmico da articulação glenoumeral.
Lateralmente a cabeça do úmero é rodeada por duas camadas musculares uma profunda e a outra superficial. A camada profunda é constituída pelo manguito rotador (supra-espinhoso, infra-espinhoso, redondo menor e subescapular), além do tendão da porção longa do bíceps braquial, que envolvem a cápsula.
Na articulação glenoumeral a parte côncava é representada pela cavidade glenóide, enquanto a convexa é pela cabeça do úmero, somente uma pequena parte desta fica em contato com a cavidade glenóide, favorecendo grandes amplitudes de movimento e instabilidade.
A artrocinemática explica que a parte côncava movimenta – se no sentido do movimento realizado pelo úmero, e a convexa movimenta – se no sentido opsto ao do úmero, conforme o quadro:

Movimentos fisiológicos do úmero
Direção do deslizamento da cabeça do úmero
Flexâo
Posterior
Extensão
Anterior
Abdução
Inferior
Adução
Superior
Rotação interna
Posterior
Rotação externa
Anterior
Abdução horizontal
Anterior
Adução horizontal
Posterior

A camada superficial é formada pelo trapézio, deltóide, redondo maior, latíssimo do dorso, serrátil anterior e peitoral maior, que estão em volta da cabeça do úmero, mas um pouco distante (HAMILL & KNUTZEN, 2008; LIPPERT, 2003).

Movimento da Articulação Glenoumeral

Quando observamos o movimento da articulação glenoumeral temos que levar em conta a diferença entre o tamanho da cabeça do úmero e da cavidade glenóide, outro ponto a ser observado é a ação do músculo deltóide que ao início da elevação do braço possui uma tração vertical puxando a cabeça do úmero para cima colidindo com o arco coracoacromial e entrando em contato com o acrômio. Com tudo isso grandes amplitudes de movimento seriam impossíveis, o que torna possível alcançar as grandes amplitudes de movimento é a ação do manguito rotador e os movimentos da artrocinemática (LIPPERT, 2003; RASCH, 1991; HALL, 2000).

Artrocinemática do Ombro
As superfícies das articulações móveis são do tipo ovóide (com a forma de um ovo), articulação desse tipo tem uma relação convexo-cônvava, em articulações como a glenoumeral e o quadril podem ser classificadas como esferóides.
Se a parte convexa da articulação move-se sobre a côncava o movimento é do lado oposto ao segmento ósseo, se a parte côncava da articulação move-se sobre a convexa o movimento é da mesma direção ao segmento ósseo.
No início da abdução ou flexão o músculo deltóide tem sua força dirigida verticalmente, com isso produz um cisalhamento sobre a cavidade glenóide fazendo a cabeça umeral colidir com o arco coracoacromial, só que isso não acontece porque é impedido pelas linhas de ação horizontais e para baixo do manguito rotador.
Quando uma articulação se movimenta três movimentos podem ocorrer entre as duas superfícies são: deslizamento, rolamento e rotação. Grande parte dos movimentos articulares possui alguma combinação desses três movimentos citados
A combinação de deslizamento, rolamento e rotação fazem com que seja alcançada grande amplitude de movimento. Se apenas um desses movimentos fosse realizado a amplitude de movimento seria pequena ou então as superfícies articulares teriam que ser bem maiores para acomodar igual amplitude de movimento (SMITH et al, 1997; HALL, 2000; LIPPERT, 2003).
As grandes amplitudes de movimento na abdução ou flexão do ombro e a cabeça do úmero em contato com a cavidade glenóide só são possíveis por causa dos movimentos artrocinemáticos de: deslizamento, rolamento e rotação, ao fazer a abdução a cabeça do úmero faz um rolamento, se existisse só esse movimento ocorreria uma luxação, deslizamento para baixo mantendo o contato com a cavidade glenóide, e a rotação lateral necessária para livrar o acrômio do tubérculo maior.
Dentro da artrocinemática temos os movimentos acessórios que não podem ser efetuados voluntariamente, e são fundamentais para a função articular sem dor. A rotação lateral do tubérculo maior para não colidir com o acrômio e sim deslizar embaixo dele e ir para trás, com isso o movimento acontece sem risco de lesão e dor (SMITH et al, 1997).
Nos primeiros 30º de abdução ou nos primeiros 45 a 60º de flexão, a escápula se movimenta no sentido à coluna vertebral ou ainda afastando dela buscando estabilização. Depois de alcançado a estabilização a escápula se movimenta em movimentos de rotação para cima, protração ou abdução e elevação (HAMILL & KNUTZEN, 2008).
Até os 30º de abdução e os 60º de flexão o movimento acontece principalmente na articulação glenoumeral, após esses graus é solicitado um movimento de rotação para cima da articulação escapulotorácica de  60º, sendo que desse 60º aproximadamente 40º vem da articulação esternoclavicular e 20º vem da articulação acromioclavicular, para a amplitude de movimento de 180º de abdução ou flexão, com uma relação de movimento glenoumeral e escapular de 2:1, assim dos 180º de amplitude máxima 120º é movimento glenoumeral e 60º movimento escapular (HAMILL & KNUTZEN, 2008; SOUZA, 2000; HALL, 2000; LIPPERT, 2003).

Ritmo escapuloumeral

Para LIPPERT, 2003 & HALL, 2000 durante os primeiros 30º de abdução ou flexão do ombro não há movimento escapular, todo movimento está na articulação glenoumeral, quando esse ângulo de elevação ultrapassa os 30º entra em ação o ritmo escapuloumeral que é definido como rotação da escápula para cima em 1º para cada 2º de abdução ou flexão, numa relação de 2:1.
Para alcançar as grandes amplitudes de movimento além do ritmo escapuloumeral é necessário os movimentos que ocorre nas outras articulações como elevação da clavícula em cerca de 45 a 50º de movimento na articulação esternoclavicular para realização completa de  90º de abdução ou flexão, e a rotação na articulação acromioclavicular que ocorre nos primeiros 30º de elevação.

Manguito Rotador 

É um grupo muscular formado por quatro músculos, o M. Supra-espinhoso, o M. Infra-espinhoso, M. Redondo menor e M. Sudescapular, tem como função principal manter a cabeça do úmero na cavidade glenóide quando o úmero se movimenta garantindo a estabilização da articulação do ombro (TORTORA & GRABOWSKI, 2002; HALL, 2000).
O M. Supra-espinhoso impede os deslocamentos superiores e pressiona a cabeça do úmero para dentro, o M.Infra-espinhoso e o M. Redondo menor impedem os deslocamentos anteriores e pressiona a cabeça do úmero para dentro e para baixo, e o M. Subescapular impede os deslocamentos posterior da cabeça do úmero além de pressiona-la  para dentro e para baixo (CALAIS-GERMAIN, 2002).
Antes pensava-se que ao carregar um peso na mão a contração dos músculos deltóide, bíceps braquial e tríceps braquial eram os que estabilizavam o ombro por causa de suas ações verticais, mantiam a cabeça do úmero na cavidade glenóide, mais tarde estudos mostraram que esses músculos não esboçavam nenhuma contração ao carregar um peso,
A estabilização do ombro ao carregar peso com a mão é realizada com os músculos horizontais do manguito rotador, principalmente o supra-espinhoso, infra-espinhoso e o redondo menor.
Para a atuação do membro superior com força e destreza é necessário que a escápula possua uma boa estabilização contra o tronco, essa estabilização é feita basicamente pelos músculos: trapézio, rombóides, elevador de escápula e serrátil anterior, estes todo tempo estão contrapondo à ação da gravidade (MORELLI & VULCANO, 1993).

Movimentos do complexo do ombro e da escápula

O ombro é uma articulação com quatro liberdades de movimento que são realizadas nos planos sagital, frontal e transverso, para isso é necessário um sinergismo entre os músculos do cíngulo do membro superior e o complexo do ombro, além dos movimentos escapulotorácico de: elevação, depressão, protração, retração, rotação para cima e rotação para baixo.
Através desse sinergismo conseguimos reslizar todos os movimentos do ombro com seus ângulos máximos que são:
No plano sagital o movimento de flexão é de 0 a 180º, a extensão é o retorno à posição anatômica e a hiperextensão é de 0 a 45º.
No plano frontal tem os movimentos de abdução e adução, com a abdução atingindo 180º e a adução o retorno a posição anatômica (LIPPERT,2003).
No plano transverso tem os movimentos de rotação medial e rotação lateral. A partir da posição neutra é possível realizar 90º em cada direção. Ainda no plano transverso os movimentos de abdução horizontal e adução horizontal, estes movimentos iniciam com 90º de abdução do ombro. A abdução horizontal é de aproximadamente 30º, e a adução horizontal é de 120º, e circundação que exprime todos movimentos realizados pelo ombro.
São dezesseis músculos envolvidos com todos os movimentos do ombro, e podemos dividir em cinco músculos do cíngulo do membro superior e onze com o ombro. Os cinco músculos do cíngulo do membro superior são: trapézio, serrátil anterior, rombóides, levandador da escápula e peitoral menor. E os onze músculos do ombro que são: deltóide, peitoral maior, redondo maior, latíssimo do dorso, coracobraquial, manguito rotador: o supra-espinhoso, infra-espinhoso, redondo menor e subescapular, bíceps braquial e tríceps braquial (TORTORA & GRABOWSKI, 2002).

Movimentos realizados pela escápula

Elevação – a elevação é realizada pelos músculos trapézio parte ascendente, levantador da escápula e rombóides, com a articulação acromioclavicular movendo-se superiormente em aproximadamente 60º.

Depressão –
 a depressão é realizada pelos músculos trapézio parte descendente e peitoral menor, a partir de uma posição de repouso é possível alcançar de 5 a 10º de depressão, esse movimento é importante na estabilização da escápula e elevação do corpo ao usar muletas, esse movimento eleva o tronco em até 15 cm.

Protração – a protração é realizada pelo músculo serrátil anterior, com as margens mediais movendo para longe da linha média em até 15 cm, esse movimento também é chamado de abdução da escápula.

Retração – a retração é realizada pelos músculos trapézio parte transversa e rombóides, as margens mediais da escápula aproximam da linha média, esse movimento também é chamado de adução da escápula.

Rotação para cima – a rotação para cima é realizada pelos músculos trapézio parte ascendente e descendente e serrátil anterior (fibras inferiores), através de forças conjugadas ou conjugação de forças que é definida pela contração dos músculos em direções opostas para a realização do mesmo movimento, o trapézio contrai nas direções superior e inferior e medial com o serrátil anterior, alcançando 60º com a abdução ou flexão completa do ombro.

Rotação para baixo – a rotação para baixo é realizada pelos músculos levantador da escápula, rombóides e peitoral menor, constituindo outro exemplo de forças conjugadas, o levantador contrai na direção superior, o peitoral menor na direção inferior e o rombóides na direção medial (LIPPERT, 2003; HALL,2000; SMITH, et al 1997; HAMILL & KNUTZEN, 2008).

Movimentos realizados pelo ombro

Flexão – a flexão ocorre no plano sagital, esse movimento é realizado pelos músculos deltóide (parte clavicular), coracobraquial, bíceps braquial (cabeça longa), e peitoral maior ( parte clavicular), este tendo ação como flexor até 60º, depois desse grau o músculo perde sua linha de ação vertical que o garante realizar a flexão.
A flexão do ombro alcança uma amplitude de movimento (ADM), de 180º para isso além desses músculos conta com o ritmo escapuloumeral,que entra em ação a partir dos 30º, que é a rotação para cima da escápula em 1º para cada 2º de flexão, através dos músculos escapulotorácicos trapézio (fibras superiores e inferiores) e serrátil anterior (fibras inferiores).

Extensão – a extensão ocorre no plano sagital, esse movimento é realizado pelos músculos deltóide (parte espinhal), latíssimo do dorso, redondo maior, tríceps braquial (cabeça longa), peitoral maior (parte esternal), este tendo ação quando o braço estiver a 90º, a extensão é descrita como o retorno à posição anatômica, correspondendo a 0º.
Hiperextensão – a hiperextensão ocorre no plano sagital, esse movimento é realizado pelos músculos latíssimo do dorso e deltóide (parte espinhal), a partir da posição anatômica é possível alcançar 45º..

Abdução – a abdução ocorre no plano frontal, esse movimento é realizado pelos músculos supra-espinhoso e deltóide, sendo que nos primeiros 90º o supra-espinhoso tem um maior torque, a partir de 90º o deltóide se torna mais ativo, com o supra-espinhoso desempenhando um papel de estabilizador da cabeça do úmero
Para alcançar a ADM de 180º é necessário além desses músculos o ritmo escapuloumeral, este entrando em ação a partir dos 30º, realizando uma rotação da escápula para cima em 1º para cada 2º de abdução este movimento é realizada pelos músculos trapézio (fibras superiores e inferiores) e serrátil anterior (fibras inferiores), e o infra-espinhoso o subescapular e o redondo menor neutralizam o deslocamento superior produzido pelas fibras médias do deltóide (HAMILL & KNUTZEN, 2008).

Adução – a adução ocorre no plano frontal, esse movimento é realizado pelos músculos peitoral maior, latíssimo do dorso e redondo maior, a adução é classificada como o retorno à posição anatômica ou neutra, pode cintinuar além da posição neutra em até 75º de hiperadução, auxiliado pela rotação para baixo da escápula através dos músculos levantador da escápula, rombóides e peitoral menor.

Rotação medial – a rotação medial ocorre no plano transverso, esse movimento é realizado pelos músculos subescapular, peitoral maior, deltóide (fibras clavicular), latíssimo do dorso e redondo maior, a partir da posição neutra é possível alcançar 45º de ADM..

Rotação lateral – a rotação lateral ocorre no plano transverso, esse movimento é realizado pelos músculos infra-espinhoso, redondo menor e deltóide (parte espinhal), a partir da posição neutra é possível alcançar 45º de ADM .

Abdução horizontal – a abdução horizontal ocorre no plano transverso, esse movimento é realizado pelos músculos deltóide (parte espinhal), infra-espinhoso e redondo menor esse movimento acontece com o ombro a 90º de abdução e é possível alcançar aproximadamente 30º de ADM.

Adução horizontal – a adução horizontal ocorre no plano transverso, esse movimento é realizado pelos músculos peitoral maior e deltóide (parte clavicular), esse movimento acontece com o ombro a 90º de abdução e é possível alcançar aproximadamente 120º de ADM..

Circundação – a circundação é descrita coma a junção de todos os movimentos realizados pelo ombro (LIPPERT, 2003; HALL,2000; SMITH, et al 1997, HAMILL & KNUTZEN, 2008).

Autor: Afrânio da Silva Pacheco

domingo, 27 de março de 2011

Síndrome do Túnel do carpo

O túnel do carpo é uma passagem anatômica, localizada na porção anterior do punho, formado superficialmente por um forte ligamento, chamado ligamento transversal do carpo, dentro do qual se localizam os tendões flexores dos dedos e o nervo mediano. Esse nervo é responsável pela sensibilidade do polegar, indicador, dedo médio, e a metade interna do dedo anular. O nervo mediano localiza-se abaixo do ligamento transversal do carpo.
A síndrome do túnel do carpo (STC) é uma neuropatia por compressão do nervo mediano, que pode estar relacionada a atividades ocupacionais, que exijam esforços repetitivos. A STC resulta de qualquer lesão, que reduz significativamente o tamanho do túnel do carpo. A retenção de líquidos, infecção e exercício excessivo dos dedos podem causar tumefação dos tendões ou de suas bainhas sinoviais.
Esta síndrome caracteriza-se por dor e parestesia nos quatro primeiros dedos e no punho, dor no braço, fraqueza para realizar movimentos finos, hipoestesia no território do mediano, preservando ou não a sensação palmar e dormência na região sensorial do mediano, principalmente a noite. A evolução pode levar a atrofia tenar.
A STC é mais comum em mulheres entre 30 a 50 anos(3x1), trabalhadores industriais e indivíduos com trabalhos ou atividades de lazer que utilizam movimentos repetitivos das mãos e do punho ou que usam ferramentas de vibração. Frequentemente, os sintomas estão presentes nas duas mãos, mas são notados primeiramente na mão dominante.
O diagnóstico é feito por exame clínico, através da história, exame físico e testes específicos. A história clínica e ocupacional deve ser rigorosamente coletada para verificar os fatores etiológicos envolvidos. Os primeiros sintomas normalmente aparecem após um trabalho manual intenso e repetitivo. As queixas podem ser vagas, como dor difusa, parestesia e fadiga muscular, evoluindo com alterações das funções sensitivas, motoras ou tróficas, porém sempre limitadas ao território do nervo mediano. Durante a inspeção em casos crônicos pode-se notar hipotrofia ou até atrofia da região tenar; no exame físico os movimentos de coordenação do polegar e do indicador apresentam-se alterados: débeis, rígidos e entorpecidos e a força de preensão diminuída. 
Os testes específicos mais utilizados são o teste de Phalen e o sinal de Tinel. Para o diagnóstico mais preciso é utilizada a eletroneuromiografia, na qual é verificada a velocidade de condução nervosa do nervo mediano.
O tratamento conservador consiste de Fisioterapia e o uso de medicamentos. Na Fisioterapia são realizados a cinesioterapia e a eletroterapia, além de prescrição de órteses. Todas essas medidas devem ser associadas a mudanças nas atividades de vida diária; bem como daquelas realizadas no ambiente de trabalho. São indicados medicamentos como antiinflamatórios não-esteróides, diuréticos, vitamina B6 e\ou infiltrações de corticóide. O uso da fonoforese soma os benefícios do ultra-som terapêutico aos do antiinflamatório. Os exercícios de movimentação ativa intermitente do punho e dos dedos reduzem a pressão no interior do tpunel do carpo, sendo parte importante do tratamento.

Drs. Sergio Lianza e Kizi Schmidt.

sábado, 19 de março de 2011

Capsulite Adesiva

A região do ombro é formada por três articulações sinoviais - esternoclavicular, acromioclavicular e glenoumeral e uma articulação fisiológica, a Escapulotorácica.
A combinação dos movimentos coordenados das quatro articulações distintas, os músculos e as estruturas periarticulares envolvidos permitem que o braço e a mão sejam posicionados no espaço para uma ampla variedade de funções. O resultado é uma amplitude superior a de outras articulações do corpo
O ombro pode ser sede de uma variedade de lesões e que as causas que concorrem para o desenvolvimento dos distúrbios do ombro são variáveis. Esses distúrbios são raros antes dos 40 anos e aumentam na faixa de 50 a 60 anos, continuando a crescer a partir dos 70 anos.
Segundo Magee e Oliveira, a dor e a diminuição da amplitude de movimento articular no ombro é extremamente comum, comprometendo a biomecânica dessa articulação, podendo ser causada por uma doença intrínseca, por uma patologia de estruturas periarticulares ou pode ser originárias de patologias localizadas na coluna cervical, no tórax ou nas vísceras. Comumente, a patologia está relacionada ao nível de atividade e a idade do paciente e estes fatores podem ter um papel importante para auxiliar o diagnóstico e monitorar o tratamento.
A capsulite adesiva ou ombro congelado é, dentre as síndromes dolorosas do ombro, a que mais tem suscitado controvérsias, tanto do ponto de vista diagnóstico como terapêutico. Isso se deve aos aspectos ainda obscuros da sua etiopatogenia, à sua história natural e características clínicas semelhantes às da distrofia simpático-reflexa e principalmente a sua associação com doenças aparentemente sem relação direta com o ombro.
O diagnóstico precoce e preciso é essencial para o início do tratamento correto. O ombro congelado apresenta-se com um conjunto complexo de sintomas, em vez de uma entidade específica de tratamento.
Embora alguns autores pensem que um componente inflamatório conduza à rigidez no ombro, não se conhece ao certo a exata natureza e papel da inflamação. Em geral, qualquer processo que leve a uma restrição gradual da amplitude de movimentos poderá causar a contratura dos tecidos moles, e a uma rigidez dolorosa (WEINSTEIN, 2000).
Freqüentemente afeta o ombro não dominante de indivíduos entre 40 e 60 anos, sendo maior a porcentagem de acometimento entre as mulheres. O surgimento dessa patologia é insidioso, muitas vezes relacionado a períodos de desuso do ombro, de evolução arrastada, associada ou não a outras doenças e que, em muitos casos pode evoluir espontaneamente para a cura, ocorrendo em média dois anos após o início dos sintomas (KISNER; COLBY 2005; HEBERT et al. 2003; HALL; BRODY, 2001; WEINSTEIN, 2000).
Os sinais e sintomas comuns  é a dor mal localizada mesmo em repouso, principalmente noturna, que costuma diminuir a intensidade em algumas semanas; rigidez articular fibrosa de origem capsular, a qual encontra-se espessada, inelástica e friável (HEBERT et al., 2003).
Ocorre restrição dos movimentos passivos e ativos principalmente da articulação glenoumeral. Comumente, a rotação interna, externa, elevação e abdução, são as limitações mais acentuadas. Uma das características marcantes dessa patologia segundo Hebert et al. (2003) é a presença constante de bloqueio da rotação interna e externa do ombro.
A evolução clínica consta de três fases ou estágios distintos, denominados fase dolorosa, aguda ou hiperálgica; fase de rigidez, enrijecimento ou congelamento e fase de descongelamento (HEBERT et al., 2003; HALL; BRODY, 2001).
A fase dolorosa é marcada pelo início insidioso dos sintomas. A dor noturna cresce em intensidade, podendo ser acompanhada de fenômenos vasculares como sudorese palmar e axilar; a mobilidade do ombro é bastante dolorosa e os movimentos de abdução, rotação interna e externa diminuem rapidamente (HALL; BRODY, 2001). A média de duração dessa fase é de três a seis meses, podendo variar de acordo com autores.
A fase de rigidez é marcada por dificuldades de movimentação do ombro afetado mesmo para realizar atividades diárias simples como vestir-se ou pentear-se, devido à presença de grande rigidez articular. A dor principalmente noturna diminui de intensidade e deixa de ser contínua. Os movimentos rotacionais apresentam-se com bloqueio. Essa fase dura em média 12 meses, podendo também haver variações (Ferreira/Filho, 2005).
Na terceira e última fase ocorre à liberação progressiva dos movimentos. A elasticidade cápsuloligamentar começa a ser restaurada, entretanto, a completa recuperação da mobilidade do ombro pode não ser completa e pode estender-se até vinte e quatro meses a partir do início dos sintomas (Ferreira/Filho, 2005).
Várias modalidades clínicas e fisioterapêuticas são realizadas com os pacientes acometidos com o propósito de aliviar a dor e retornar os movimentos funcionais. O tratamento clínico é baseado em analgésicos potentes, anti-inflamatórios não hormonais, corticóides, antidepressivos, vasodilatadores periféricos, medicamentos para controlar a osteoporose e bloqueios do nervo supra-escapular (MACEDO et al., 2000; HEBERT et al., 2003,) além de tratamento cirúrgico em casos de maus resultados no tratamento
conservador (FERREIRA/FILHO, 2005).
Dentre as condutas fisioterapêuticas indicadas estão a crioterapia, os recursos eletrotérmicos, a cinesioterapia convencional ou a utilização de técnicas manuais específicas, todas com a finalidade de aliviar a dor e retomar a biomecânica normal da articulação do ombro. Os procedimentos terapêuticos aplicados para esses propósitos são as mobilizações passivas, ativas assistidas e ativas, os alongamentos e o fortalecimento, porém cada procedimento é parte integrante do programa de reabilitação e deverá estar de acordo com os aspectos clínicos e o estágio da patologia (LECH; SUDBRACK; VALENZUELA, 1993; MACEDO et al., 2000).
A eficácia do programa de reabilitação depende principalmente do paciente. Este deve ser esclarecido quanto à importância da sua adesão ao programa, tendo em vista que os resultados são alcançados de médio a longo prazo, algo em torno de três a seis meses
(HEBERT et al., 2003).
Embora as bibliografias disponíveis sobre o assunto relatem que a cura dessa patologia, principalmente nas formas idiopáticas, ocorra gradativamente e espontaneamente, medidas terapêuticas enérgicas e precoces devem ser impostas para a resolução da forte dor contínua de difícil controle na fase hiperálgica, da urgência em combater a grave impotência funcional que se instala rapidamente e dificulta as atividades comuns da vida diária, da necessidade de abreviar a longa evolução da doença e da possibilidade de restarem seqüelas irreversíveis nos casos mais graves (FERREIRA/FILHO, 2005; KISNER; COLBY, 2005; LECH; SUDBRACK; VALENZUELA,1993).
Os vários métodos disponíveis para o tratamento dessa patologia são controversos, gerando divergência da melhor maneira de tratá-la nas suas fases, entretanto há um consenso de que o alívio da dor e a restauração da mobilidade articular devem ser o enfoque do tratamento inicial (FERREIRA/FILHO, 2005; KISNER; COLBY, 2005; LECH; SUDBRACK; VALENZUELA, 1993).

terça-feira, 1 de março de 2011

Importância do Alongamento e do Relaxamento Muscular para o Desempenho Esportivo

      Alongamentos são exercícios voltados para o aumento da flexibilidade muscular, que promovem o estiramento das fibras musculares, fazendo com que elas aumentem o seu comprimento. O principal efeito dos alongamentos é o aumento da flexibilidade, que é a maior amplitude de movimento possível de uma determinada articulação. Quanto mais alongado um músculo, maior será a movimentação da articulação comandada por aquele músculo e, portanto, maior sua flexibilidade.
Os exercícios de alongamento possuem um papel preventivo importante, pois preparam a musculatura, favorecem a recuperação, evitam problemas musculares, articulares, tendinosos e circulatórios, aprimoraram a mobilidade e a flexibilidade, têm um papel anti-stress, permitem a obtenção do bem-estar e melhoram a consciência corporal, o gesto técnico e o desempenho.
A opinião compartilhada por atletas, técnicos e profissionais de saúde é que o alongamento antes e/ou após o exercício irá prevenir ou minimizar as dores musculares que costumam surgir 24–48 h após o exercício. (FIELDS, BURNWORTH E DELANEY, 2008).
A este respeito, Rossi et al (2008) afirmam que diversos profissionais envolvidos no treinamento e na reabilitação de atletas indicam realizar o alongamento antes de uma competição ou exercício físico, pois se acredita haver um aumento do desempenho atlético, e/ou redução do risco de lesão do aparelho osteoarticular.
É importante ressaltar que o exercício de alongamento só é benéfico quando é realizado adequadamente, de modo que é preciso ficar alerta para evitar lesões. Para diferentes objetivos, podemos indicar diferentes tipos de exercícios de alongamento.
Deve existir uma preocupação de indicar a melhor forma de trabalho para cada caso para obter resultados significativos, pois sem essa preocupação os resultados podem ser decepcionantes e até prejudiciais a quem pratica.
Para a corrida os grupos musculares mais solicitados são:

·         Tríceps Sural
·         Tibiais anteriores
·         Quadríceps
·         Ísquiotibiais
·         Adutores de coxa
·         Abdutores de coxa
·         Glúteo
·         Região Lombar
·         Região Cervical
·         Região Torácica


Os objetivos da massagem antes da prática desportiva são para estimular o fluxo sanguíneo bem como o estado de alerta do organismo. A massagem pode ser aplicada antes da prática esportiva com o objetivo de relaxamento para os esportistas muito tensos.
O acúmulo de subprodutos tóxicos nos músculos pode estimular as terminações nervosas, originando uma maior sensibilidade regional e dor. Para evitar a algia subsequente aos exercícios a massagem se aplica objetivando o aumento da circulação sanguínea, acelerar a remoção dos produtos catabólicos e recuperar a extensibilidade do tecido muscular. 

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

12 Causas para uma lesão

Por vezes uma pessoa que corre, pode ser atingida por uma lesão sem dar muito bem conta dos motivos por que a mesma surgiu. Primeiro começa uma ligeira impressão, para depois, ao fim de alguns dias ou semanas transformar-se numa dor aguda que impossibilita correr, como da mesma forma, pode surgir de um momento para o outro, em plena corrida.
Para uma maior prevenção contra este tipo de situações e no intuito de dar um maior esclarecimento a quem gosta de correr, vou dar uma imagem, das principais causas do aparecimento regular de lesões , sempre tão desmoralizantes para qualquer entusiasta de um simples desporto como é a corrida.
1- Fraca flexibilidade - Os nossos músculos tensos e rígidos estão mais sujeitos a lesões do que outros bem exercitados ao nível da flexibilidade. Este é um problema sempre esquecido pelos corredores desejosos de fazerem mais uns minutos de corrida, desprezando quase sempre alguns importantes exercícios adequados a isso. Nunca se esqueça deles antes e depois da sua corrida e comece em forma descontraída e lenta.
2 - Pé fraco - Os nossos pés tocam no solo à razão de 1000 batimentos durante um período de 7 a 12 minutos de corrida, conforme a amplitude da passada e o andamento do treino. Estes números podem parecer exagerados, principalmente se pensarmos que durante, por exemplo, uma semana qualquer, um corredor mediano cobrirá facilmente um total de 5 a 7 horas de corrida, ou seja, qualquer coisa como 30.000 a 42.000 batimentos no solo. Com estes dados é mais fácil começarmos a compreender a razão da maioria das lesões no conjunto ósseo-muscular do pé. O atleta deve ter sempre o conjunto articular do pé forte e preparado para os esforços a que se propõe. Caso contrário, mais cedo ou mais tarde, vêm as lesões. Tenha muito cuidado com o tipo de sapatos que utiliza e com os terrenos em que corre.
3 - Excesso de treino- Se tem pouca base de distância, um aumento súbito da mesma é a certeza de lesão. O organismo do ser humano é uma excelente máquina bem preparada para tudo, mas que deve ser exercitada gradualmente de forma a possibilitar um equilíbrio dos diferentes esforços. Se é certo que a maioria dos principiantes procura absorver cada pormenor da corrida tendo em vista a progressão rápida, não podemos esquecer que quanto mais rápida for a progressão mais perigos existem de lesões. 
4 - Descuidos nos Períodos Fracos- Ao mínimo sinal de lesão tenha calma. Mais vale perder um treino do que estar meses e meses parado. Da mesma forma, quando recomeçar os treinos depois de qualquer lesão, procure respeitar as normas que o seu Médico\Fisioterapeuta lhe aconselhou, uma lesão mal curada é algo que fica sempre para a vida desportiva do atleta e as suas mais graves consequências só repercutem anos mais tarde. Nos períodos mais fracos da sua saúde, procure diminuir também a preparação. Lembre que o corpo não é uma máquina indiferente a avarias.
5 - Falta de Apoio- Existem vários especialistas que recomendam o repouso como o melhor remédio para a cura dos males. Enfim, hoje está provado que o movimento, desde que respeitando as suas conseqüências fisiológicas, é algo bem mais importante do que se imaginaria há algumas dezenas de anos. Tenha sempre o cuidado de procurar apoio técnico junto de pessoas competentes e que sintam os problemas dos corredores.
6 - Fatores Ambientais- Procure um grupo de corrida que encare a preparação como algo de descontração e bem estar e nunca como aquela alavanca que vai possibilitar vencer tudo e todos. O meio ambiente é fundamental para a forma de encontrar o seu equilíbrio e adapta-se ao esforço exigido. Para os colegas de corrida novos tenha sempre uma palavra amiga, deve aparecer sempre como uma excelente forma de descontração e nunca como uma carga para prejudicar o bem estar de cada um.
Procure correr descontraído e de preferência em grupo. Um bom ambiente de treino, é um excelente método para a descontração e bem estar do corredor.Um corredor que se encontre só no seu treino habitual está mais sujeito a abandonar a atividade. Viva o treino, brinque com o seu colega do lado, aproveite para contar e escutar as despreocupações de cada um e assim o treino surgirá como um prazer e não como uma continuação das possíveis preocupações diárias.
7 - Hábitos Impróprios de Treino- Súbitas mudanças de intensidade, duração e frequência dos seus treinos devem ser evitados. Da mesma maneira, mudanças de tipo de piso ( de mole para duro, por exemplo ) e métodos podem ter graves repercussões. Procure, pouco a pouco encontrar o método de preparação que mais garantias de rendimento lhe possibilite, assim como uma certa segurança na progressão da atividade. Se o seu colega, às quartas feiras, tem por esquema subir a montanha mais próxima, isso não significa que também o tenha que fazer.
8 - Stress Tensão- As lesões surgem normalmente nos períodos difíceis do corredor, não só, por exemplo, por se treinar em excesso, mas também, por outros casos de tensão do seu dia a dia. Um atleta tenso suporta mal os esforços, irrita-se mais com mais facilidade, é mais vulnerável à doença. Sintomas de insônia, fadiga geral e fácil irritação são sinônimos de excesso de treino sempre possíveis de evitar.
9 - Desequilíbrio Muscular- Se observarmos os corredores que treinam, por exemplo só em terrenos acidentados, facilmente concluiremos que os seus músculos inferiores se encontram desenvolvidos. O inverso também é verdade, principalmente para aqueles que só correm em torno de uma pista.
Estes dados demonstram que certos grupos musculares ficam mais desenvolvidos do que outros e quando, por qualquer motivo, se muda de terreno, tais grupos, em regra pouco solicitados no treino, acusam o esforço e lesionam-se. Sob o ponto de vista científico, este problema é demonstrado pelas variações do esforço entre os músculos agonistas, solicitados para o esforço e os antagonistas. Assim ao correr há alguns músculos que descansam e outros que estão em plena atividade, numa sucessão que ao fim, permite o melhor rendimento.
Na prática, deve-se variar os tipos de terreno e respectivas percentagens de inclinação de forma a possibilitar uma perfeita e desejável musculação natural. Paralelamente, é importante, também, um reforço gradual dos músculos abdominais e quadríceps.
10 - Desigual Comprimento das Pernas- É muito raro as nossa pernas serem rigorosamente iguais, ou melhor, terem o mesmo comprimento e cerca de 50% dos corredores têm lesões originadas por esse fato. As diferenças são apenas de alguns milímetros, mas, as milhares de passadas começam a fadigar mais um determinado local do que outro e, depois aí estão as micro lesões, cujas consequências são por vezes bem graves.
Atingido por elas, o corredor, normalmente, não pensa que a causa pode estar num ou outro milímetro de diferença entre as suas pernas esquerda e direita. Limita-se a usar esta ou aquela pomada, a dor desaparece para voltar pouco tempo depois, sem que se saiba muito bem como. Geralmente recorre-se a dizer mal da pomada, muda-se para outra, mas a causa do mal fica intocável e muitas vezes desconhecida. 
11 - Falta de Massagem Muscular- Aplicada por um especialista em Medicina Desportiva, a massagem profunda é bastante eficaz para melhorar a zona dos tecidos afetados e dos músculos rijos, no entanto se não houver essa possibilidade, aconselho a depois de cada treino a fazer uma automassagem nas pernas, sempre de baixo para cima.
12 - Sapatos Velhos e gastos - Tenha sempre em atenção que muitas das lesões podem ter a ver com o desgaste natural dos nossos sapatos de corrida, é preferível trocar de sapatos, assim que eles começam a dar mostras de desgaste do que, ter de parar um ou dois meses por causa deles.

Texto original retirado do site www.omundodacorrida.com