domingo, 25 de março de 2012

Traqueostomia Precoce


TCE é qualquer agressão que acarrete lesão anatômica ou comprometimento funcional do couro cabeludo, crânio, meninges ou encéfalo. Esta lesão ao cérebro provoca uma variedade de comportamentos motores sensoriais, comportamentais, podendo estes serem temporários ou permanentes.
A principal causa do TCE são lesões mecânicas como acidentes automobilísticos, atropelamentos, acidentes com motocicletas, quedas, armas de fogo e as vitimas estão entre 1 a 45 anos principalmente em jovens do sexo masculino, o trauma mecânico pode atingir mais de 40% das internações.
Pacientes com TCE ou qualquer outro tipo de lesão traumática grave necessitam de ventilação e oxigenação encefálica de emergência, evitando maiores danos ao cérebro, exigindo monitorização rigorosa e possibilidade de intervenção cirúrgica, eles acabam permanecendo por longos períodos em ventilação mecânica (VM). Nesses casos, a traqueostomia é freqüentemente indicada, pois facilita a remoção de secreções pulmonares, diminui o desconforto com a via aérea artificial e aumenta a mobilidade do paciente no leito.
O estudo é para definir as principais causas de TCE, constando no questionário idade, sexo, gênero, data da ocorrência, localidade, causa do trauma, tratamento, infecção, ECG, óbito, alta hospitalar.
Estudo realizado no hospital das clinica na Unicamp com pacientes maiores de 14 anos com pontuação na escala de glasgow de <10 e submetidos a VM por mais de 48 horas.
Os pacientes foram acompanhados por pesquisadores para observar o momento da retirada de VM e tempo, infecção pulmonar e tempo de internação hospitalar.
Vitimas por acidentes com meios de transporte foi a maior porcentagem registrada nos hospitais chegando a 40,7% das vitimas, 25,4% vitimas por agressões com ou sem armas e 24% por quedas, as principais causas de internações foram por atropelamentos e quedas de altura já que a grande maioria nesse hospital não possui veículos.
Os pacientes formaram três grupos como TP - traqueostomia precoce ate o 6º dia. TI intermediaria 7º-11º dias e TT tardia após 12 dias. Foram avaliados 72 pacientes 36 foram excluídos do estudo por morte encefálica (14), não realizou traqueostomia (25), fora esses 36 excluídos ao total foram avaliados 33 pacientes comparando sexo, idade, ECG e APACHEII que é um índice que pode ser calculado após admissão imediata do paciente no hospital, principalmente em unidade de terapia intensiva (UTI), e que leva em considerações variáveis fisiológicas, idade e doença crônica.
•    No grupo TP (10 pacientes) - O tempo de VM foi menor que os outros,  quatro pacientes apresentaram pneumonia, a pontuação de ECG foi mais baixa nesse grupo e o tempo de internação hospitalar, um paciente foi a óbito antes do desmame da ventilação.
•    No grupo TI (12 pacientes) - Menor tempo de internação associados a pacientes mais jovens, oito apresentaram pneumonia, ECG um pouco maior que TP, um óbito.
 •    No grupo TT (11 pacientes) – Não mostraram menor tempo de internação hospitalar comparando com TP e TI, sete pacientes apresentaram pneumonia e um foi a óbito, ECG maior de todos os grupos.
A traqueostomia é indicada para pacientes que ficam um tempo prolongado ao VM com lesão encefálica grave, existem controvérsias sobre as verdadeiras vantagens e desvantagens desse procedimento, como alguns estudos dizem que a traqueostomia pode causar necrose tecidual, estenose subglotica e laríngea por causa dos movimentos e pressão do tubo na mucosa.
Um ECG de menor pontuação o tempo é maior para a recuperação desses pacientes como no grupo de TT também pacientes mais velhos é maior o tempo de internação na UTI. Alguns estudos dizem que quanto mais cedo a traqueostomia for realizada menos o risco de infecções como pneumonias associadas a VM e a higienização  com traqueostomia fica mais facilitada devido a cânula e menor risco de broncoaspiração. O resultado desse estudo é que pacientes traqueostomizados ate o 6º dia (TP) pode reduzir o tempo de VM, mas não o tempo de internação hospitalar em pacientes com TCE grave e pontuação de ECG menor. As vitimas de TCE internadas por agressões estão cada vez aumentando nas grandes metrópoles e vitimas que ingeriram bebidas alcoólicas também.
A fisioterapia tem como principal objetivo nesses pacientes com TCE:
•     Manter e melhorar a higiene brônquica com exercícios de vibrocompressão torácica, aspiração de vias aéreas inferiores e superiores quando necessário.
•    Reexpandir bases pulmonares técnica de compressão e descompressão súbita em áreas torácicas permitidas
•    Prevenir escaras de decúbito mudança de decúbito a cada 2 horas, hidratação da pele e lençóis esticados.
•    Manter e melhorar o retorno venoso e a relação V/Q exercícios metabólicos para MMII e exercícios respiratórios
•    Prevenir contraturas, deformidades articulares e musculares exercícios metabólicos, alongamentos musculares, descarga de peso no leito e posicionamento correto. 
É importante que PIC seja monitorada durante qualquer intervenção fisioterápica e, se ela começar a aumentar, a intervenção deve ser modificada imediatamente. Drenagem postural tipicamente precisa ser modificada uma vez que a posição depende da cabeça e há riscos de aumentar a PIC (pressão intracraniana).

sábado, 10 de março de 2012

Ventilação Mecânica


Funções pulmonares principais:
v   Ventilação: movimento de ar para dentro e para fora das vias aéreas (da atmosfera até os bronquíolos terminais), resultante das alterações transmitidas da cavidade torácica para os pulmões.
- Inspiração: ­ P negativa do espaço pleural > P atm
- Expiração: Relaxamento do diafragma, músculos intercostais e costelas = ¯ P negativa < P atm
v   Respiração: troca de gases intrapulmonares, ou seja, permuta de oxigênio e  dióxido de carbono entre o ar alveolar e o sangue capilar.

Princípios de Ventilação Mecânica
Ventilador mecânico: aparelho responsável pela manutenção do processo de insuflação e deflação pulmonar em pacientes em risco ou com insuficiência respiratória já instalada.
Variáveis básicas:
q  volume: quantidade de ar
q  pressão: força de introdução do ar
q  fluxo: velocidade do ar
q  tempo: inspiratório / expiratório

CONCEITO: Manutenção da oxigenação e/ou ventilação dos pacientes portadores de IRA de maneira artificial até serem capazes de reassumi-la.

INDICAÇÃO:
- Atividade respiratória ausente.
Ex: Coma profundo, anestesia geral, intoxicação exógena, PCR.
- Atividade respiratória presente, mas incapaz de manter adequadas trocas gasosas à nível alvéolo – capilar.
Ex: IRA.

FINALIDADES:
  1. Diminuir o trabalho respiratório
  2. Prevenir atelectasias
  3. Reverter a IRA
  4. Impedir a parada respiratória
  5. Facilitar a correção dos distúrbios ácido – básicos
  6. Permitir reposição de energia dos músculos respiratórios

Funções Básicas do Ventilador
- Ventilar
- Oxigenar – manter PaO2 85 a 100 mmHg
- Umidificar        
PARÂMETROS BÁSICOS DE REGULAGEM:
1 - Frequência Respiratória:
       No adulto, ideal entre 12 a 24 incursões por minuto.
       À medida que o paciente deflagra estímulos respiratórios mais frequentemente, deve ser diminuída a frequência estipulada pelo aparelho como forma de desmame.
2 - FIO2 (fração inspirada de oxigênio):
       Quantidade de oxigênio puro oferecido ao paciente.
       Varia entre 21% (ar ambiente) e 100%.
       Altas frações de oxigênio por tempo prolongado causam oxidação endógena, e pode provocar toxicidade e lesão pulmonar. Logo que o paciente é colocado em ventilação mecânica, ajusta-se para 100%, e dependendo dos gases sanguíneos (gasometria), se reduz a FiO2 até o mínimo suportado pelo paciente: ideal se mantiver uma PaO2 entre 60 e 100mmHg, SatO2>90%.

3 - Volume Corrente:
       Fornecimento do ar (nas vias aéreas) em centímetros cúbicos por respiração
       Programado: de 7 a 10 ml/Kg, podendo ser utilizado em menores volumes (5 a 7 ml/Kg) em pcts com risco de barotrauma.

4 - PEEP (pressão expiratória positiva final):
       Pressão mantida nos pulmões ao final da expiração
       Iniciar com PEEP em torno de 3 a 5 cmH2O (fisiológico)
       A PEEP: mantém os alvéolos abertos e ajuda nas trocas gasosas, bem como a diminuir a necessidade de altas FiO2.
       Riscos: pneumotórax e barotrauma, redução do débito cardíaco (reduz retorno venoso)

5 - Pressão de Suporte:
       Oferece pressões positivas pré-determinadas durante a fase inspiratória da respiração espontânea
       Ajuda a diminuir o esforço inspiratório
       Não há necessidade de fluxo inspiratório
       Ajuste depende do volume corrente expirado

6 - Fluxo:
       Parâmetro não obrigatório em ventiladores com pressão de suporte
       Velocidade do deslocamento do ar nas vias aéreas
        Fluxo inspiratório : de 40 a 60 l/min
       Altos fluxos podem resultar em picos de pressão elevados, favorecendo barotrauma

7 - Sensibilidade:
       Parâmetro que permite ou dificulta a respiração espontânea
       Ideal: sensibilidade que permita o maior número de estímulos inspiratórios do paciente

CLASSIFICAÇÃO DOS VENTILADORES

Ciclados a pressão: Trabalha até atingir a pressão inspiratória pré estabelecida (VC variável, P fixa)
      fase inspiratória é determinada pela pressão alcançada nas vias aéreas: quando a pressão atinge um valor pré-fixado, interrompe-se a inspiração,  independentemente do tempo inspiratório e do volume de ar enviado para os pulmões.

Ciclados a volume: Oferece VC até atingir o volume pré-estabelecido (VC fixo, P variável);
      - o fim da fase inspiratória é determinado pelo volume de ar pré-estabelecido: assim que o fluxômetro interno do aparelho constata a passagem de um determinado volume de ar pelo circuito. Normalmente reúne os 3 tipos de ciclagem, onde se controla o volume, pressão e tempo, além de outros parâmetros.

Ciclados a tempo: A inspiração e expiração ocorrem após um período de tempo pré-determinado.
    VC variável = Pressão aplicada, complacência pulmonar e T inspiratório Ex: respiradores infantis.
        Uso limitado, mais utilizado em crianças.

  MODALIDADES VENTILATÓRIAS:

Ventilação Assistida (VA):
- FR variável (paciente)
VC controlado
O esforço inspiratório do paciente aciona um sensor, sendo a  freqüência respiratória estabelecida pelo paciente, e o ventilador garante para que seja administrado o volume corrente a cada inspiração; o paciente deve ter estímulos respiratórios. A sensibilidade do aparelho deve estar reduzida.

Ventilação Controlada (VC):
FR e VC controlados
Ajusta-se uma frequência respiratória  fixa (tempo inspiratório e expiratório), independentemente do esforço ventilatório do paciente.

Ventilação Assisto – controlada (VA/C): VC controlado com FR controlada oscilando de acordo com os estímulos do paciente (utilizada como forma inicial de ventilação, com estímulo respiratório presente, sem esforço da mm respiratória)
Reúne os dois tipos de modalidade acima: o ventilador  é programado para ciclar um determinado número de vezes por minuto (controlada); quando o paciente deflagra um estímulo respiratório próprio, o esforço inspiratório do paciente aciona um sensor, inibindo o ciclo do ventilador.

Ventilação Mandatória Intermitente Sincronizada (SVMI): Permite ventilações espontâneas (FR e VC determinados pelo paciente = esforço respiratório) entre os ciclos controlados pelo ventilador. FR* e VC controlados. FR baixa para permitir respirações espontâneas.
Reúne a combinação entre ciclos disparados pelo ventilador com períodos de ventilação espontânea, com auxílio de uma pressão de suporte para se atingir o volume corrente pré-determinado; a freqüência respiratória e o volume corrente são pré-estabelecidos; o paciente pode deflagrar movimentos respiratórios espontâneos acima da frequência programada.

Ventilação com pressão de suporte (PSV): Pressão positiva e constante na fase inspiratória, aliviando a inspiração muito trabalhosa (poupa mm respiratória) VInsp, FR, fluxo e tempo determinados pelo paciente, é utilizado com VMI para desmame.
7.6 Pressão Positiva contínua nas vias aéreas (CPAP):
Pressão positiva e constante na inspiração e expiração. VC, FR e trabalho respiratório determinados pelo paciente. Previne colapso alveolar, melhora a capacidade residual funcional e oxigenação.
Último estágio do desmame ventilatório, no qual o paciente respira espontaneamente (frequência respiratória exclusiva do paciente) através do circuito pressurizado do aparelho, de tal forma que certa pressão positiva seja mantida durante todo o ciclo respiratório.

Pressão Positiva no final da expiração (PEEP): sempre precedida por uma inspiração mecânica. Não é um modo isolado de ventilação.
Efeitos pulmonares da PEEP:
ü   ­ capacidade residual funcional, distende alvéolos normais, previne colapso alveolar na expiração e reabertura dos alvéolos colapsados,­ PaO2
ü   ­ complacência pulmonar (recruta novas áreas, conserva a surfactante)
ü  ¯ espessura da camada de líquido alveolar na SDRA, ­ volume alveolar
ü   altera permeabilidade alveolar (­ pressão intra alveolar)
ü  ­ Pressão intersticial forçando a passagem do líquido do interstício para o capilar pulmonar
Complicações da PEEP:
ü   Pulmonares: barotraumas (pneumotórax, enfisema SC..)
ü   Cardiovasculares: ­ P via aérea = ¯ retorno venoso = ¯ DC (controle rigoroso de PA)

SISTEMA DE ALARMES

Os ajustes de alarmes devem ser realizados de forma individualizada, sendo que os parâmetros de alarmes mais comuns são:

       Frequência respiratória mínima e máxima:
       Volume Corrente mínimo
       PEEP mínimo
       Pico de Pressão máximo

domingo, 4 de março de 2012

Acidente Vascular Encefálico

O Acidente Vascular Encefálico é a doença vascular que mais acomete o sistema nervoso central, suas causas estão relacionadas com a interrupção do fluxo sanguíneo para o encéfalo, podendo ser originado tanto por obstrução de uma artéria que o supre, caracterizando o acidente vascular encefálico isquêmico, quanto por ruptura de um vaso, caracterizando o acidente vascular encefálico hemorrágico, se apresenta como uma das maiores causas de sequelas permanentes que geram incapacidades físicas, cognitivas e comportamentais (Souza et al, 2003).
 
  As sequelas estão relacionadas diretamente com a localização, tamanho da área encefálica atingida e o tempo em que o paciente esperou para ser atendido. A alteração mais comum é a hemiparesia, correspondendo à deficiência motora, caracterizada por fraqueza no hemicorpo contralateral à lesão, também podendo ser acompanhada por alterações sensitivas, mentais, perceptivas e de linguagem (O’Sullivan et al.,1993) como afasia, disartria e disfagia (Smeltzer, 2000).
 A marcha destes pacientes tem um padrão ceifante, obrigando o indivíduo a realizar uma abdução exagerada do membro durante a fase de balanço, pois há uma dificuldade em flexionar o quadril e o joelho, e em dorsifletir o pé (Rowland, 1997), a espasticidade de flexores plantares que acometem estes pacientes, é caracterizada pelo pé equinovaro (Edwards,1999).
 As sequelas do acidente vascular encefálico é uma ameaça à qualidade de vida, não só pela sua elevada incidência e mortalidade, mas também pela alta morbidade que causa, implantando-se frequentemente em pessoas já com problemas físicos e/ou mentais (Azevedo et al.,2007), interferindo na sua capacidade de desempenhar suas funções e satisfazer obrigações que dele se espera (Fredericks et al.,1996), como locomover-se sozinho, além de causar problemas sociais, por isso é necessário trabalhar as mudanças de postura como rolar no leito, passar de deitado pra sentado, sentado pra de pé e as fases da marcha, porque essas técnicas quando trabalhadas precocemente são capazes de devolver ao paciente grande parte da sua funcionalidade, deixando-os capazes de realizar atividades que são de extrema importância para o seu dia-a-dia, e que não conseguiam mais executar com tal destreza após a lesão (Figueiró,2007). Muito da morbidade e mortalidade associada ao paciente com acidente vascular encefálico, advém de complicações psicológicas e dos sistemas tegumentar, respiratório e circulatório, porque estes pacientes tendem a permanecer por mais tempo no leito após serem acometidos pela patologia em questão (Knobel, 1998).
 O acidente vascular encefálico ocorre quando o cérebro é privado de seus nutrientes, oxigênio e glicose que são distribuídos aos neurônios através do sangue arterial(Adams et al.,1963), em decorrência de problemas circulatórios (Cerutti et al., 1997), ruptura ou obstrução de vasos sendo as causas mais comuns a hipertensão arterial, aneurismas, má formação arterio-venosa e também tumores e traumatismos (Durward et al., 2000), constitui a causa mais comum de óbito nos países ocidentais, atrás das doenças cardiovasculares e do câncer(Musser et al., 1995). Estatísticas recentes mostram que no Brasil é a primeira causa de óbito (Lessa,1992).
 O acidente vascular encefálico é considerado uma doença mais incapacitante do que fatal, sendo que 20% dos pacientes morrem no primeiro ano e, aqueles que sobrevivem ficam comprometidos fisicamente, socialmente e muitas vezes psicologicamente, com perda de sua capacidade de deambular, falar ou cuidar de si mesmos (Sacoo,1995).
 As alterações das funções dos pacientes acometidos pelo acidente vascular encefálico não ocorrem apenas nas áreas diretamente afetadas pela lesão cerebral, mas também em outros sítios neurais direta ou indiretamente conectados a ela, causando prejuízos físicos, comportamentais, cognitivos, sociais e psicológicos na maioria dos casos (Cerutti et al., 1997). Dentre as principais complicações, podemos citar as deficiências que interferem no movimento funcional, como: mudanças na força muscular (paralisia ou paresia), no tônus muscular (hipotonia ou hipertonia), na ativação muscular, na sensibilidade, no alinhamento corporal, no cumprimento dos tecidos, além de dor, edema e dificuldade para realizar mudanças de postura (Levit,1997).
  A fisioterapia neurológica vem contribuindo através de um processo pelo qual se ministra, orienta, guia e ensina a demanda funcional adequada, a fim de estimular que os mecanismos de reorganização neural se desenvolvam de forma ideal, na tentativa de devolver o máximo possível a funcionalidade do paciente hemiplégico. Portanto, desde a década de 80, sabe-se que os pacientes submetidos a programas de reabilitação, atingem níveis de recuperação neurológica maior que aqueles que se abstêm deles (O’Sullivan et al.,1993), por isso após a lesão encefálica, tanto a intensidade e as técnicas da reabilitação como o intervalo de tempo entre a lesão e o início do programa terapêutico influenciam na recuperação da função nervosa destes pacientes (Ekman,2000).
 O hemiplégico necessita de um retreinamento motor, pois sua dificuldade é na compreensão de como o movimento correto é executado, exigindo assim uma reaprendizagem motora baseada nas suas atividades de vida diária, para se obter a funcionalidade do membro comprometido, Quanto mais precoce o paciente receber estímulos para sua recuperação, melhor será seu prognóstico, pois através de sua reintegração com o meio ambiente, será criado e moldado novas vias sinápticas possibilitando uma adaptação do sistema nervoso, que irá favorecer a recuperação neural, esse evento denominamos de neuroplasticidade, porém o início demasiadamente precoce da reabilitação vigorosa da função motora pode ser contra produtivo (Shepherd, 1988).
 É importante trabalhar com esses pacientes as mudanças de postura como: rolar no leito, passar de deitado pra sentado, sentado pra de pé, e as fases da marcha, assim como os movimentos funcionais, pois essas técnicas quando trabalhadas precocemente devolvem ao paciente grande parte da sua funcionalidade e consequentemente a qualidade de vida, deixando-os capazes de realizar atividades que são de extrema importância para o seu dia-a-dia, e que não conseguiam mais executar com tal destreza após serem acometidos pela lesão (Myers,1995).
 Estudos recentes levam em consideração a importância de o paciente estar atento ao realizar os exercícios e sentir vontade de participar do trabalho, isso favorece a recuperação neural (Knobel, 1998), por isso seria relevante que fosse do conhecimento dos pacientes acometidos por essa patologia, que o trabalho realizado com a abordagem dessas técnicas, devolve a ele o máximo possível de sua funcionalidade e independência como, por exemplo: levantar, deitar, transferir da cadeira de rodas, deambularem, entre outros aspectos benéficos, sendo estes movimentos essenciais para suas atividades de vida diária (O’Sullivan et al.,1993.
 O fisioterapeuta atua na retirada precoce do paciente do leito, através das mudanças de postura, estas técnicas são importantes para a reabilitação, porque além de proporcionar maior funcionalidade, ainda previnem no sistema músculo esquelético a hipotrofia muscular, atrofia, descondicionamento, contraturas, osteopenia, osteoporose, deterioração articular, ossificação heterotópica, osteomielite e deformidades. Na função visceral atua nas alterações do sistema respiratório prevenindo a diminuição do trabalho e por consequência evita a perda de força da musculatura necessária para a ventilação, a diminuição de volumes e capacidades pulmonares, estase do muco em áreas mal ventiladas levando às infecções pulmonares, atelectasias, dificuldade para tossir e broncoaspiração. Também atua nas alterações do sistema cardiovascular evitando alteração no volume da distribuição dos fluidos corporais, no descondicionamento cardíaco, na hipotensão ortostática, evita ainda a trombose venosa profunda e o tromboembolismo pulmonar. Nas alterações no sistema urinário seus efeitos poderão prevenir: estase da urina, cálculo renal, infecções, bexiga neurogênica e incontinência. No sistema gastrointestinal auxilia na diminuição ou prevenção da perda do apetite, da incontinência fecal, o fecaloma, a constipação e a obstrução.
 A mobilização precoce diminui a incidência de tromboembolismo e de trombose venosa profunda, além de permitir a melhor oxigenação e nutrição dos órgãos internos. A movimentação ativa quando possível, a mobilização passiva a massoterapia, padrões ventilatórios e uso de incentivadores inspiratórios são as principais formas de prevenir as alterações nos sistemas viscerais, além destes benefícios os exercícios terapêuticos aumentam o condicionamento físico, a resistência á fadiga, a flexibilidade, a mobilidade, a estabilidade, a melhora o metabolismo corporal, a força muscular, a eficiência cardiovascular, a coordenação, o equilíbrio, as habilidades funcionais e previne deformidades, como contraturas articulares.
 No sistema tegumentar: a úlcera de pressão é a mais comum alteração que acontece os pacientes submetidos a longo período de decúbito. Elas podem ser minimizadas por mudanças constantes de decúbito, além do uso de colchão especial, massoterapia, crioterapia e em estágio mais avançados a laser terapia (Knobel, 1998).
 A recuperação das sequelas do acidente vascular encefálico ocorre lentamente durante muitos meses, infelizmente, ao tempo em que os efeitos iniciais da sequela desaparecem os pacientes já se habituaram que o braço afetado não é mais funcional. Dessa forma, a fisioterapia serve para evitar que essa habituação ocorra, motivando o paciente a usar o braço afetado logo após o estágio agudo da recuperação, pois assim o desmascaramento de capacidades neurais intactas poderia levar a melhora funcional (Kisner, 1998).
 Deve-se estimular o lado comprometido com atividades funcionais, como pentear os cabelos, escovar os dentes, barbear-se, banhar-se, vestir-se e alimentar-se, estas podem ser estimuladas e adequadas para o auto-cuidado, superando as dificuldades, vencendo os limites, conquistando a independência e fortalecer o lado sadio (Smeltzer, 2000).
 Vale ressaltar que os distúrbios neurológicos que apresentam uma evolução progressiva, exigem que o paciente e a família estejam bem orientados a respeito das condições reais e das necessidades de cuidados especiais, necessários para manter o nível máximo de independência e qualidade de vida do paciente hemiplégico (Arnoud,1999).



sábado, 25 de fevereiro de 2012

Histórico da Evolução da Ventilação Mecânica nas Doenças Neuromusculares


A substituição das funções do aparelho respiratório constitui um importante capítulo da história da Medicina, pouco conhecido pelos médicos em geral e pelos pneumologistas, em particular.
A interação das forças elásticas da caixa torácica e do pulmão produz uma pressão subatmosférica entre essas duas estruturas e transforma o tórax numa cavidade orgânica muito peculiar, diferente da caixa craniana e do abdome, que não exibem essa particularidade pressórica.
A abertura da cavidade torácica para fins terapêuticos sempre teve como obstáculo a pressão mais baixa no interior do tórax, que impossibilita o estabelecimento de comunicação entre o interior e o exterior da cavidade sem o prejuízo do colapso dos pulmões.
A própria compreensão de que as pressões são diferentes demorou bastante e um dos pioneiros da fisiologia da ventilação, o cirurgião alemão Sauerbruch, só começou a desvendar esse mistério no final do século XIX. Nas suas tentativas de abrir o tórax, chegou à conclusão de que o interior da caixa torácica tinha pressões menores do que a atmosférica e, ainda, que este fato era fundamental para a ventilação.
Com o objetivo de contornar esta dificuldade criada pela diferença de pressão, Sauerbruch desenvolveu uma sala para operar tórax. Nesta sua criação, o paciente a ser operado era posicionado com a cabeça para fora da sala, aos cuidados do anestesista. A equipe cirúrgica e o restante do corpo do paciente ficavam dentro da sala, onde se produzia, pela ação de bombas de sucção de ar, uma pressão mais baixa que a atmosférica em aproximadamente 7 mmHg. A comunicação entre o interior e o exterior da sala era vedada ao redor do pescoço do paciente por uma espécie de obturador móvel ajustável. A cabeça para fora da sala e a pressão subatmosférica ao redor do tórax permitiam a abertura do tórax sem colapso dos pulmões e a manutenção da ventilação espontânea.
O primeiro aparelho destinado a substituir a ventilação em pessoas que, por algum motivo, tinham parado de renovar o ar alveolar adequadamente, foi usado em larga escala a partir da terceira década do século XX, nos EUA. Construído por um engenheiro no Hospital da Universidade de Harvard, recebeu o nome de pulmão de aço. Vivia-se, na época, uma pandemia de poliomielite, na qual morreram muitas pessoas com a forma paralítica respiratória da doença, pelo fato de não estar disponível nenhum mecanismo capaz de substituir a ventilação. A necessidade de uma máquina que conseguisse ventilar os pacientes era premente, e os conhecimentos disponíveis sobre a fisiologia respiratória, no momento, levaram à construção de um aparelho que se assemelhava à sala de Sauerbruch. Consistia de um cilindro de aço, no qual o paciente era introduzido até o pescoço, permanecendo apenas com a cabeça para fora do aparelho, e um motor elétrico, que gerava periodicamente pressões subatmosféricas dentro cilindro, e provocava a expansão da caixa torácica. Este aumento do volume do tórax fazia cair a pressão intratorácica e o ar era então aspirado para dentro das vias aéreas. Curiosamente, quando havia necessidade de se interromper temporariamente o funcionamento da máquina, colocava-se um domo transparente sobre a cabeça do paciente, no interior do qual se fazia pressão positiva. Um dispositivo semelhante de pressão positiva é descrito por Sauerbruch, em seu livro de 1922, apesar de o autor dizer francamente que preferia a sala de pressão negativa, sua criação, por medo dos efeitos danosos da pressão positiva sobre os pulmões.
As dificuldades de se oferecer cuidados gerais, como banho, alimentação e medicação a pacientes em pulmões de aço, podem ser imaginadas. Além disso, a imobilidade forçada e a impossibilidade de tossir com certeza foram causa de inúmeras complicações infecciosas pulmonares. Apesar de todas as suas limitações, a demanda por pulmões de aço era muito grande e sua disponibilidade limitada em muitos hospitais.
Em Copenhague, Dinamarca, a epidemia de poliomielite fazia muitas vítimas no verão de 1952. Vários pacientes apresentavam dificuldades respiratórias e estavam disponíveis apenas alguns aparelhos de pressão negativa do tipo couraça (um “pulmão de aço” que envolvia só o tórax), que eram incapazes de substituir totalmente a ventilação dos pacientes. Chamado a opinar sobre que destino dar aos doentes, o anestesista Bjorn Ibsen submeteu um deles a uma traqueostomia e utilizou um AMBU para ventilá-lo. Conseguiu provar que a técnica invasiva era mais eficiente para remover gás carbônico do que a não invasiva. A partir da demonstração de Ibsen, esta forma de ventilação tornou-se o tratamento padrão para a forma paralítica respiratória da poliomielite na Dinamarca. Cerca de 1.500 estudantes de Medicina e Odontologia foram convocados a se revezar no cumprimento de turnos de seis horas na ventilação de pacientes com AMBU e contribuíram com aproximadamente 165.000 h de trabalho, salvando a vida de muitas pessoas, com muito esforço.
Quando a epidemia de poliomielite chegou à Suécia, no verão seguinte, os suecos já dispunham de um ventilador mecânico que, como o AMBU, injetava ar sob pressão para dentro das vias aéreas, sem necessitar das mãos dos voluntários. Desta maneira, surgiram os ventiladores de pressão positiva, que se tornaram, nos anos seguintes, o padrão de tratamento na insuficiência respiratória aguda.
Os critérios e parâmetros de injeção do gás sob pressão dentro das vias aéreas, da década de 60 do século XX até agora, têm sido motivo de preocupação constante. Garantir um volume corrente suficiente para o paciente, sem lesar o pulmão pelos picos excessivos de pressão, foi um dos primeiros aspectos estudados e fez surgir os ventiladores controladores de volume, com alarmes de pressão. Descobriu-se que insuflar os pulmões até que uma determinada pressão fosse atingida nas vias aéreas era insuficiente para ventilar o paciente de modo adequado, especialmente quando havia doença do pulmão. Reduções na complacência pulmonar faziam com que a pressão de ciclagem fosse atingida num tempo muito curto, insuficiente para a entrada de um volume corrente apropriado.
Outra descoberta fundamental para a ventilação mecânica diz respeito à necessidade de se manter os alvéolos abertos durante todo o ciclo respiratório, sempre que, por alguma condição patológica, houver tendência maior do que o normal para o colapso. A pressão expiratória final positiva (PEEP), desde 1969, incorporou-se como técnica obrigatória na ventilação artificial. Mesmo para a inspiração, ficou demonstrado que a manutenção de um platô de pressão, ao final da injeção de gás, melhorava a distribuição da mistura gasosa para os milhões de alvéolos e favorecia a hematose.
Posteriormente, voltou-se a atenção para a ventilação de indivíduos que se recuperavam parcialmente da insuficiência respiratória aguda e precisavam ser retirados da ventilação mecânica. Nesta fase, os pacientes deveriam estar acordados e colaborativos, sendo, na ventilação, apenas assistidos pela máquina. Nestas circunstâncias, era fundamental que o processo de injeção de gás fosse confortável e que o trabalho ventilatório pudesse ser reassumido, de forma gradual, pelo paciente. Dentro deste contexto, um grande avanço foi conseguido com o desenvolvimento da modalidade de ventilação denominada pressão de suporte, durante a década de 1980. Trata-se de uma forma de ventilação espontânea, disparada a fluxo, limitada à pressão e ciclada a fluxo.
O tratamento da insuficiência respiratória aguda monopolizava as atenções e algumas poucas pessoas dedicavam-se aos pacientes portadores de insuficiência respiratória crônica. A necessidade de alternativas para cuidar destes pacientes em outros tipos de ambiente, que não as unidades de terapia intensiva, levou ao desenvolvimento de máquinas com características específicas para uso em locais onde não está disponível uma fonte de gás sob pressão. Em 1978 surgiram os primeiros ventiladores portáteis e independentes de redes pressurizadas de gás. Eles são capazes de gerar fluxo a partir do ar ambiente, por meio de compressores ou turbinas. Na maioria dos casos, estes ventiladores possuem baterias internas ou podem ser ligados a uma fonte de corrente contínua externa (bateria de carro, “nobreak”).
Pacientes tetraplégicos, com capacidade vital zero, eram preferencialmente tratados, então, com traqueostomia e ventiladores volumétricos domiciliares. A traqueostomia permitia o manejo satisfatório das secreções, já que o paciente era incapaz de tossir, e também prevenia, durante algum tempo, a aspiração de conteúdo da boca ou orofaringe, caso houvesse, simultaneamente, distúrbios de deglutição.
No entanto, a traqueostomia mantida por anos está associada a inúmeras complicações, como infecções, aumento da quantidade de secreção, prejuízo do transporte mucociliar, sangramentos, morte súbita por rolha de secreção e desconexões acidentais.
Outras situações que levam à insuficiência respiratória crônica, mas que são progressivas, tais como doenças neuromusculares e alterações da caixa torácica, trazem dificuldades no que diz respeito à determinação do momento adequado para a realização de uma traqueostomia, e os pacientes muito se beneficiariam de um método alternativo, que permitisse adiar esta intervenção o máximo possível ou até mesmo não realizá-la.
Em 1976 surgem menções a tratamentos não invasivos de problemas respiratórios. O procedimento descrito, realizado com pressão positiva, foi denominado Continuous Positive Airway Pressure ou pressão positiva contínua na via aérea (CPAP). No entanto, a pressão positiva contínua nas vias aéreas, aplicada por meio de máscara nasal ou oronasal, não fornece suporte ventilatório. Ela mantém as vias aéreas abertas e pode diminuir o colapso alveolar. Ela passou a ser muito utilizada no domicílio para tratamento da apnéia obstrutiva do sono.
Dados publicados a partir de 1987 relatam a experiência com a aplicação de ventilação não invasiva, desde a década de 1960, em pacientes com síndrome pós-poliomielite e outros distúrbios neurológicos. Estes pacientes utilizavam ventiladores volumétricos, na modalidade assistida-controlada, por meio de peças bucais, as quais permitiam a inspiração no momento desejado.
A adaptação da pressão de suporte a formas não invasivas de ventilação foi relatada em 1990, com a idealização de um sistema para ser usado com máscara oronasal, dependente de rede de gás pressurizada, fato que limitava seu emprego a ambientes hospitalares.
Um respirador ciclado à pressão, como, por exemplo, um Bird Mark 7® (Bird Products Corporation, Palm Springs, CA), tem poucas chances de manter a ventilação num patamar adequado, quando utilizado de forma não invasiva. Esta incapacidade deve-se à forma de sua onda de pressão, que não apresenta nenhum tipo de platô: a pressão sobe até um valor pré-determinado e, após atingi-lo, cai rapidamente de volta à linha de base. Além desta característica, não existe nesse respirador nenhuma possibilidade de compensação de vazamentos ao redor da interface nasal ou oronasal. Na pressão de suporte, a ventilação é limitada à pressão: quando o valor ajustado para o suporte é atingido, o fluxo não pára, apenas vai diminuindo, de modo a manter a pressão constante, apesar do aumento progressivo do volume do pulmão. Esta particularidade cria um platô de pressão, responsável, em grande parte, pelos bons resultados na melhora da ventilação.
Também em 1990, alguns autores descreveram uma nova forma de tratar a apnéia do sono, que utilizava dois níveis de pressão: um valor maior de pressão inspiratória (IPAP) e um valor menor para pressão expiratória (EPAP). A máquina funcionava como um gerador de fluxo contínuo, capaz de detectar o estímulo respiratório do paciente, quando então fazia subir rapidamente a pressão no circuito para o nível escolhido de pressão inspiratória (IPAP). Essa pressão era mantida durante toda a inspiração, e a redução do fluxo, para retorno ao nível escolhido de pressão expiratória (EPAP), acontecia no momento em que a demanda por fluxo pelo paciente diminuía. O sistema foi denominado Bilevel Positive Airway Pressure (BiPAP®, Respironics, Murrysville, PA) e suas características técnicas faziam-no funcionar de modo muito semelhante à pressão de suporte, só que independentemente de uma fonte de gás sob pressão.
O acúmulo de secreção ou condições que reduzam a complacência pulmonar podem comprometer a eficiência deste tipo de aparelho em melhorar a ventilação e esta pode ser uma limitação importante para sua utilização no suporte pressórico de indivíduos com insuficiência respiratória crônica. No entanto, a experiência tem mostrado que o aumento da pressão de suporte (até 30 cm de água) e técnicas eficientes de fisioterapia para eliminação de catarro ampliam muito a aplicabilidade dos BiPAP (apesar de o nome ser marca registrada de uma máquina, praticamente passou a denominar um tipo de suporte ventilatório). Portanto, o BiPAP expandiu sua aplicação do tratamento da apnéia do sono para uma variedade imensa de situações nas quais o seu padrão extremamente confortável de administrar fluxo constitui uma vantagem. Este conforto é muito importante sempre que o paciente ainda mantenha alguma capacidade de ventilação espontânea, pois, nestes casos, ondas de fluxo quadradas são difíceis de suportar.
Neste breve resumo histórico pode-se observar a oscilação de conceitos básicos na substituição ou auxílio da ventilação: “órteses e próteses respiratórias” foram inicialmente não invasivas, depois exclusivamente invasivas, para chegar ao momento atual com vasta gama de opções. A melhora da ventilação de um paciente portador de doença neuromuscular exige conhecimento adequado para poder decidir qual a melhor técnica para o estado funcional daquele paciente.

Ilma Aparecida Paschoal, Wander de Oliveira Villalba, Mônica Corso Pereira
J Bras Pneumol. 2007;33(1):81-92Artigo

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Fisioterapia reduz tempo de permanência na UTI

Pesquisa realizada pelo Serviço de Fisioterapia do Instituto Central do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina (FM) da USP mostra que as sessões de fisioterapia reduzem em até 40% o tempo de permanência do paciente internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), quando aplicadas sem interrupções, ou seja, 24 horas por dia. O estudo avaliou 500 pacientes, num período de seis meses.
Segundo a professora Clarice Tanaka, do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional da FM, responsável pela pesquisa, "a redução de complicações com melhora significativa do paciente deve-se ao tratamento noturno". Nos primeiros três meses, as atividades do fisioterapeuta levaram 12 horas e a média de internação do paciente na UTI foi de dez dias. Nos três meses seguintes, o atendimento foi de 24 horas e a média de permanência do paciente caiu para seis dias.
O procedimento garante a "limpeza" contínua dos pulmões, permite a extubação (retirada do tubo traqueal) no período noturno, reduz a agressão mecânica e propicia recuperação pulmonar mais rápida do paciente. O estudo apontou ainda que sem o trabalho intensivo dos profissionais, 24 horas por dia, aumenta o risco de piora do quadro respiratório do paciente, obrigando a sua reintubação, com possibilidades de contrair pneumonia, pelo uso da ventilação mecânica.
Qualidade de Vida
A pesquisa aponta que a expansão dos serviços reduz o sofrimento dos pacientes, permite a liberação mais rápida e segura dos leitos, com o conseqüente aumento do número de vagas disponíveis. Também diminuiu os riscos de infecção hospitalar e propicia economia de recursos financeiros que seriam usados na compra de antibióticos e outros medicamentos de alto custo